domingo, 6 de julho de 2014

A literatura não tem de partir dos clássicos

Há mais de dez anos, ao mediar uma oficina de leitura e escrita, um voraz leitor de Harry Potter me perguntou: “Qual é o autor menos chato: Machado de Assis ou José de Alencar?” A questão me intrigou: o que acontecia nas aulas de literatura daqueles estudantes para que os dois autores fossem considerados “chatos”? Durante oito anos investiguei, por meio de questionários e entrevistas com mais de 80 professores e 290 alunos, suas práticas de leitura literária.

O cenário é preocupante. Na maioria das aulas, o trabalho com o texto é substituído pela memorização dos períodos históricos literários e das características de época. Além disso, a leitura dos clássicos, difícil sem uma mediação adequada, dá lugar à leitura de resumos, que obviamente não dão conta dos romances estudados.
 
Por outro lado, a pesquisa constatou que os alunos leem! Talvez não aquilo que seus professores gostariam, mas o que lhes interessa: livros de aventura, cheios de ação, que dão origem a seriados, filmes e videogames e livros românticos, que as meninas devoram rapidamente. Essa “literatura de entretenimento” fica fora da sala de aula, sem direito a discussão ou reflexão.
Um primeiro passo para formar leitores críticos é trazer essa literatura de entretenimento  dos alunos para dentro das salas de aula (Foto: Nik Neves/ Editora Globo)
 
Um primeiro passo para formar leitores críticos seria trazer a literatura de entretenimento para dentro da sala de aula. Trabalhar com o relato dessas leituras, debater a estrutura das narrativas, discutir seu apelo e sua recepção. É preciso partir do que os alunos leem para construir um repertório em comum.
Depois disso, o segundo passo seria tomar espaço durante as aulas de português para a leitura de textos literários do cânone escolar. Ao contrário do que pensam muitos professores, ler em sala não significa “perda de tempo”. Diversas pesquisas indicam que a prática da leitura — tanto a conjunta, em voz alta, como a silenciosa e solitária — incentivam a formação de jovens leitores. Quando professor e alunos planejam e preparam a leitura de um livro, desvendando um texto, uma interpretação coletiva é construída e uma comunidade de leitores pode surgir. Essas comunidades são a base para o alargamento dos horizontes de seus integrantes. Talvez aí Machado e Alencar possam deixar de ser “chatos”...
 
Ao pensar sobre o ensino como uma prática da leitura literária, poderemos garantir a nossos alunos uma porta de entrada para a leitura de textos mais complexos e para essa nossa grande herança, o mundo da cultura escrita.
 
*** GABRIELA RODELLA É DOUTORA EM EDUCAÇÃO PELA USP E AUTORA DA TESE AS PRÁTICAS DE LEITURA LITERÁRIA DE ADOLESCENTES E A ESCOLA: TENSÕES E INFLUÊNCIAS

Em: http://revistagalileu.globo.com/

domingo, 8 de junho de 2014

MEC cria site para ajudar professores


Este portal é um espaço para você professor:

- Produzir e compartilhar sugestões de aula;
- Acessar diversas informações sobre a prática educacional;
- Acessar e baixar coleção de recursos multimídia;
- Informa-se sobre cursos oferecidos pelo MEC;
- Acessar materiais de estudo;
- Interagir e colaborar com outros professores
 

sábado, 31 de maio de 2014

Vamos Cirandar - Devoradores de Livros



Alguém já ouviu falar dos "Devoradores de Livro"?
É um site de incentivo ao hábito da leitura, que disponibiliza um jogo de perguntas e respostas sobre livros de literatura infantil e premia as crianças de acordo com seu desempenho.

O site é indicado ao público infantil de 6 a 11 anos.

O objetivo do site é atender aos pais que desejam incentivar as crianças a entrarem no mundo da leitura de maneira, além das escolas e instituições que desejam integrar novas tecnologias ao método tradicional de ensino.

Informações
Site: http://www.devoradoresdelivros.com.br/
Facebook: https://www.facebook.com/devorlivros/timeline
            Email: contato@devoradoresdelivros.com.br
            Vídeo tutorial: https://www.youtube.com/watch?v=el6a9VEufSQ

Caderno legislativo da criança e do adolescente

 
O Caderno Legislativo da Criança e do Adolescente, lançado pela Fundação Abrinq e Save the Children, pretende estimular e subsidiar o debate sobre as proposições legislativas que tratam dos direitos da criança e do adolescente e que tramitam – na data da elaboração deste Caderno – no Congresso Nacional.

O material destaca temas como educação (aletrações na LBD, financiamento), emergência (finaciamento, prevenção), proteção (adoção, conselhos tutelares, exploração sexual, violência) e saúde (assistência manternal e recém-nascido, direitos ligados à saúde).
 

Habilidades iniciais em operações com números

 
Durante a pré-escola, as crianças exibem habilidades verbais, como contar, e conceitos básicos de equivalência, ordenação e transformação quantitativa. Mas os mecanismos pelos quais surgem as habilidades de realizar operações com números ainda intrigam pesquisadores. Algumas evidências recentes apontam que esses mecanismos podem surgir nos primeiros meses e no primeiro ano de vida.
 
Nesse contexto, o artigo a seguir, que faz parte do acervo da Enciclopédia sobre o Desenvolvimento na Primeira Infância, se propõe a investigar a sensibilidade numérica de bebês e crianças pequenas para saber até que ponto as crianças compreendem a noção de número antes de adquirir habilidades convencionais.
 

domingo, 16 de março de 2014

Por que presentear crianças com livros?

Livre tradução do artigo escrito por Yolanda Reyes em seu blog Espantapájaros Taller.

1. Porque as crianças gostam de histórias. Porque, no fundo, cada vida é uma história. E ao espreitar as páginas de um livro, as crianças abrem os olhos para as inúmeras histórias de vida das pessoas.
Laurent Moreau
Laurent Moreau
2. Porque as crianças são curiosas, como qualquer um de nós. E querem saber o que as outras pessoas pensam, como se sentem, como resolvem problemas, como se apaixonam, por que choram e riem, sonham e têm pesadelos.
Sarah Massini
Sarah Massini
3. Porque as crianças não têm muitos anos de experiência. E os livros “emprestam” a elas a experiência de outros que viveram mais tempo para que possam “lê-las”.
Komako Sakai
Komako Sakai
4. Porque as crianças sabem que junto de uma história, há uma mãe ou um pai que virá lê-la todas as noites. E elas também sabem que eles vão ficar na beira da cama e não irão se ocupar de seus assuntos de adultos ou desligar a luz, pelo menos até que a história seja concluída. E, por isso, sempre pedem que leiam de novo e de novo e de novo …
Viviana Garofoli
Viviana Garofoli
5. Porque um livro é como um barco que conecta duas margens: dia e noite, para dormir e acordar, luz e sombra. E nesse barco, as crianças deslizam lentamente a partir do mundo real para o mundo dos sonhos.
Sophie Blackall
Sophie Blackall
6. Por uma série de razões práticas que as crianças não se preocupam, mas que são importantes para suas mães. Por exemplo: os livros não se desmontam em milhares de pequenos pedaços de plástico que precisam ser recolhidos pela casa quando a festa de aniversário acabou. Nem precisam de baterias ou têm mecanismos complicados ou exigem a compreensão das instruções de montagem escritas no manual.
Marla Frazee
Marla Frazee
7. Como nem todos os meninos nem meninas são iguais, os livros também são diferentes. Há aqueles sobre múmias, dinossauros e reinos distantes, sobre monstros e fadas, sobre a vida real e a vida imaginária. Alguns são para chorar e outros para rir, alguns cantam, outros são como museus abertos todas as horas e todos os dias da semana. Há alguns para serem lidos pelo toque, com os ouvidos e dentes como bebês – para ler e reler um pouco mais para a imaginação, com o coração, com espanto.
Princesse Camcam
Princesse Camcam
8. E porque muitos livros – e sabemos disso depois de muitos aniversários – permanecem na memória. Seus efeitos não expiram com o tempo, mas o contrário. O rumor das histórias que lemos quando éramos crianças permanece conosco, como a música, como uma voz, como um encanto … E nos fortalece, ajudando-nos a construir um abrigo imaginário onde podemos passar algum tempo jogando no reino do “era uma vez, há muitos anos atrás “… jogando no reino dos mundo possíveis e impossíveis que nunca termina.
Mónica Carreteiro

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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Infância com tempero de sonhos: Cuerdas - Curta Metragem





Cordas, ganhou o Prémio Goya 2014, na categoria de Melhor Curta Metragem de Animação espanhol...O filme conta a história de uma menina doce que vive num orfanato e que criou uma ligação muito especial com um novo colega de classe que sofre de paralisia cerebral. É também uma obra que fala de valores e sonhos, cativando o espectador desde o primeiro ao último minuto...Que seja o filme mais visto pelos nossos filhos...10 minutos de pura emoção !!!